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O Cinema do Real |
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Amir Labaki, Maria Dora Genis Mourão (Organização) |
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O É Tudo Verdade -
Festival Internacional de Documentários já faz parte do circuito
cultural de São Paulo e do Rio de Janeiro. O evento realiza um
importante balanço das mais recentes discussões na área, algumas
delas agora publicadas neste volume. A primeira parte do livro
aborda a produção em câmera digital e agrupa conferências que partem
de questões decorrentes do impacto desta nova tecnologia em
confronto com a longa história do documentário. A questão é debatida
por Brian Winston e Laurent Roth, tomando como parâmetro a produção
europeia e americana. A seguir, Russell Porter, Michael Rabiger e
Andrés di Tella abordam a produção latino-americana. Entra em cena,
então, o documentário brasileiro, com notáveis intervenções de João
Moreira Salles, Eduardo Coutinho, Jorge Furtado, Ismail Xavier e
Jean-Claude Bernardet, que constituem um dos pontos altos do livro.
As diferentes abordagens convergem, no entanto, na afirmação de que
quem quiser alcançar uma visão mais complexa da história recente do
país, terá de passar, certamente, pelo documentário brasileiro.
Fechando a primeira parte, Carlos Augusto Calil sublinha a conquista
de uma fatia do mercado das salas de cinema e de um crescente
interesse do público. A segunda parte distingue-se da primeira pelo
acento marcadamente ensaístico. De um lado, Bill Nichols investiga
as narrativas históricas criadas em torno do atentado terrorista de
11 de Setembro e Ana Amado analisa a obra documental de Michael
Moore; ambos rondam o espectro da manipulação televisiva e
ideológica da era Bush. De outro, Eduardo Escorel e Esther
Hamburguer, cada um a seu modo, traçam um panorama desde o cinema
novo até os documentários atuais. Seja revisitando a obra de Leon
Hirszman ou debruçando-se sobre os filmes Notícias de uma guerra
particular e Ônibus 174, ambos enveredam pelas "relações
incestuosas" entre ficção e documentário.
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